
A família tem sido considerada ao longo dos tempos como a célula base da sociedade. Embora adquirindo diversas formas de vivência e compreensão, conforme a sociedade e a cultura, ela continua a ser insubstituível para garantir um desenvolvimento harmonioso dos indivíduos, tanto a nível humano, como espiritual e psíquico, como lugar propício para o encontro, a partilha, a realização, o afecto, a segurança, o bem-estar, a entre-ajuda, o perdão, o encorajamento, a solidariedade, a socialização, etc. A família é o lugar da recepção à dádiva maravilhosa da vida.
Diz o Livro do Génesis:
«Do outro lado do homem o Senhor Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem» (E pela primeira vez ouve-se a voz humana, nas páginas da Escritura, para entoar um canto de amor. O canto apaixonado do homem perante a mulher noiva, que ele reconhece como um outro eu. Alguém que só se pode dizer diante dele e só diante de quem ele se pode dizer.) «Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher visto ter sido tirada do homem.» E o texto continua: «por esse motivo, o homem dexará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (cf. Gn 2, 22-24)
Esta relação de amor é aberta ao acolhimento e transmissão da vida: «Deus criou o Homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os Deus disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra.» (Gn 1, 27-28).
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